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Sobre Chico Xavier

CHICO XAVIER – O FILME


“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Chico xavier


Pedro Leopoldo é um município da região metropolitana de Belo Horizonte. Conta, atualmente, cerca de 63.000 habitantes. No início do século passado, a maioria dos seus habitantes de então, trabalhava em uma fábrica de tecidos, que foi a primeira atividade econômica relevante da cidade e da estrada de ferro, tendo em vista a construção da Estação Ferroviária Dr. Pedro Leopoldo, em 1895, em terreno doado pela própria fábrica. Mas, até o ano de 1923, o município era freguesia de Matosinhos, então distrito de santa Luzia. Foi elevado à categoria de cidade em 1925 e o seu desenvolvimento veio a dar-se a partir de 1950 com a instalação de diversas indústrias, como a Cimento Cauê e Ciminas, além de várias mineradoras.

Esse (então) pequeno município, de vida pacata e muita atividade agropecuária, seria abalado e ficaria conhecido nacionalmente e, até, internacionalmente, com a publicação, em 1932, do livro “Parnaso de Além Túmulo”, uma coletânea de sessenta poemas, assinados por nove poetas brasileiros, quatro portugueses e um anônimo. Novos poemas foram sendo, gradualmente, incorporados à obra, fixando-se, na sexta edição, o número de 259, atribuídos a 56 autores.

Romantismo, Condoreirismo, Parnasianismo, Simbolismo... assinados pelos maiores poetas brasileiros... mortos!!! Os críticos estavam atônitos!

Quem era Francisco Cândido Xavier? Era a pergunta que se ouvia. Um rapaz culto? Um bacharel? Um acadêmico?

Nada disso. Francisco Cândido Xavier era apenas um rapaz de 21 anos, quase adolescente, nascido na pequena Pedro Leopoldo, filho de pais pobres que não passara do curso primário. Estavam estupefatos! Baixaram diligências à cidade natal do médium. Leram e releram as páginas do “Parnaso”. Não era possível. Como um homem que beirava a ignorância e mal terminara o primário poderia ter escrito tal livro?

Por outro lado, um matuto não poderia ter estudado todos aqueles poetas e reproduzido seus estilos. Isso era humanamente impossível. Mas, eram eles! Casimiro Cunha, Castro Alves, Guerra Junqueiro, Cruz e Sousa, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos... vivos e inconfundíveis em seus estilos. Extraordinário. Maravilhoso.

Ao longo dos anos, foram curvando-se à única explicação possível. Como perguntava Kardec no livro dos médiuns: “Há espíritos?”, porque, na hipótese de resposta negativa, sequer haveria doutrina espírita. Mas, diante dos fatos e da confirmação de que os espíritos, efetivamente, existem, porque duvidar da sua presença entre nós?

Os fenômenos apresentados através da mediunidade de Chico Xavier, ao longo de 92 anos de vida, falam por si. Foram 412 livros psicografados, com vendas superiores a vinte milhões de exemplares, tudo doado a instituições de caridade e uma imensa obra de amor ao próximo.

A obra, monumental, começou ainda na infância. Um dos oito filhos do operário João Cândido Xavier e da lavadeira Maria João de Deus, falecida quando ele contava cinco anos de idade, acabou distribuído, junto com os irmãos, entre familiares e amigos da família. Aos nove anos, já trabalhava como aprendiz em uma fábrica de tecelagem. Mas, desde os quatro anos já via, ouvia e conversava com os espíritos, segundo ele mesmo relataria anos depois.

Ao longo de sua vida, mais de mil entidades espirituais se manifestaram através de sua mediunidade, provando a sobrevivência do espírito e a sua possibilidade de contactar os vivos. Alguns de seus livros se transformaram em fonte dos mais diversos estudos e teses, sobretudo os romances históricos de Emmanuel, que foi seu guia e orientador durante toda a vida. Emmanuel teria acompanhado o médium por quatro anos, entre 1927 e 1931, incógnito. Seria o período necessário ao treinamento de sua mediunidade. Apareceu-lhe num final de tarde, “envergando uma túnica semelhante à dos sacerdotes” e lhe perguntou: “está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?” Ao que Chico, em sua humildade, responde: “O Senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?” A resposta não tarda: “Perfeitamente. Desde que respeite três pontos básicos: disciplina. Disciplina. E disciplina.”

E assim estabeleceu-se a ligação entre os dois. Uma relação que era cotidiana. Era de afeto. Mas era, sobretudo, de disciplina. Emmanuel não tolerava propostas que envolvessem possibilidades de ganhos financeiros, apesar das suas dificuldades econômicas. E nem mesmo de saúde. Chico conta que, certa noite, estava psicografando e sentiu o olho esquerdo invadido por algo semelhante a fragmentos de areia. Esfregou-o, mas a coceira continuava. Mal conseguia enxergar os versos recém escritos. Assustado, recorreu às orações. Em pouco tempo, aparece-lhe o Dr. Bezerra de Menezes, que pouco depois informou: “sua vista amoleceu por razões que não podemos saber agora. Prepare-se para ir a tratamento em Belo Horizonte, para que sua família não diga que você ficou sem se tratar por nossa causa.” Dois dias depois soube do diagnóstico oficial: catarata. Impossível de operar. Nessa época, tinha 21 anos. Resolveu consultar Emmanuel, que lhe disse: “tenha serenidade. Você está sob cuidados de benfeitores espirituais e sob a assistência de médicos atenciosos e amigos.” Desapontado, Chico perguntou-lhe: “O Senhor quer dizer que, embora eu seja médium, não posso esperar a intervenção do plano espiritual em meu benefício para curar-me?” Ao que Emmanuel teria respondido: “Por que você receberia privilégios por ser médium? A condição de médium não exonera você da necessidade de lutar e sofrer em seu próprio benefício, como acontece às outras criaturas que estão no Plano físico.” Ainda não resignado, Chico questiona como poderia desenvolver a tarefa de escrita dos livros, que apenas se iniciava, se a deficiência visual de que era portador, dificultava-lhe o trabalho, ao que Emmanuel retruca: “Confie no senhor, pois sua doença é arrimo que ele enviou em seu auxílio.” Insistindo, ele indaga, ainda uma vez: “ah, então ele vai curar-me?” Emmanuel o fita, manda que abra o Evangelho Segundo o Espiritismo no Capítulo VI e, ao ler em voz alta o trecho: “Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei.” É aí que Emmanuel pergunta: “Compreendeu bem? Jesus não promete curar-nos, isto é, retirar-nos das obrigações que nos cabe cumprir perante as leis de Deus, mas promete auxiliar-nos e ajudar-nos.” Sem outra alternativa, Chico relata: “resignei-me.”

Emmanuel foi um Senador Romano da época de Jesus, de nome Públio Lentulus, cuja história é narrada no romance “Há dois mil anos” e, segundo Chico relatou no Programa “Pinga Fogo”, na TV Tupi, em 1971, teria sido o Padre português Manuel de Nóbrega. Entre suas muitas obras, grafadas na psicografia de Chico, existem verdadeiros documentos históricos que reproduzem em detalhes, a geografia da Roma antiga, costumes e modo de vida dos romanos, tão de acordo com documentos produzidos por historiadores que não deixam margem quanto à sua veracidade. Nessa linha, o já citado “Há dois mil anos”, além de “50 anos depois”, “Ave Cristo”, “Renúncia” e “Paulo e Estêvão”, que narra a história de Paulo de Tarso nos primórdios do Cristianismo.

Em 1943, uma nova entidade espiritual começa a ditar livros a Chico. Trata-se de André Luiz, que teria sido médico e cientista em sua última encarnação e desencarnou em uma clínica do Rio de janeiro, na década de 30. André Luiz é autor do livro “Nosso Lar”, que inspirou a novela global “A viagem”, escrita pela novelista espírita Ivani Ribeiro e que serve, no momento, de inspiração para a nova novela que a rede Globo exibirá no horário das seis, de nome “Entre dois amores.” Em sua série de 16 livros, alguns são de extremo interesse para a medicina.

A partir de 1959, Chico mudou-se para Uberaba, onde intensificou as atividades mediúnicas e de assistência aos mais necessitados. Com a sua chegada, Uberaba passou a atrair inúmeros visitantes do Brasil inteiro e até do exterior, em busca de algum tipo de consolo. Em 1981 foi indicado para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, pelo seu trabalho.

Chico Xavier desencarnou em 30 de junho de 2002, vítima de parada cardíaca. Tinha a saúde debilitada havia vários anos. De acordo com amigos e parentes, ele teria pedido para morrer em um dia em que os brasileiros estivessem felizes e o País em festa, para que ninguém ficasse triste com a sua partida. Pois, justamente naquele dia 30 de junho, o Brasil comemorava a conquista do pentacampeonato mundial de futebol.

Essa vida de dedicação ao próximo estará nas telas dos cinemas a partir do dia 02 de abril, data em que Chico completaria 100 anos. O filme “Chico Xavier” tem direção de Daniel Filho e um elenco de estrelas que inclui Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Giovanna Antonelli, Luis Mello, Ana Rosa, Paulo Goulart, Cássia Kiss, Cássio Gabus Mendes, Rosi Campos, Ângelo Antônio e Nélson Xavier no papel do médium.

Indico o site: www.chicoxavierofilme.com.br que conta com informações detalhadas e trailler do filme.

Indico, também, o livro “As vidas de Chico Xavier”, do jornalista Marcel Souto Maior, no qual se baseia o roteiro. É um bom livro para se conhecer mais sobre a história desse ser humano iluminado.

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