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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sobre memórias

BAU



Esse velho baú imaginário
É onde guardo minha memoria
Ele me acompanha desde o sempre
E está abarrotado...

Vivas criaturas mortas
Seguindo meu envelhecer
E riem e bailam e bebem comigo
Na fonte da juventude

Vivíssimos amigos
Saltando do velho baú
Nem tão grande, mas repleto
Da borda ao fundo

A vida é esse baú
A que foi e a que será
E os projetos todos,
E as imagens todas

Ainda que desbotadas
Ainda que impossíveis...

Poema publicado no livro "Poetas em cena", de 2009.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

HISTÓRIAS DO MENINO ZEQUIEL II

Das lembranças mais gostosas que Zequiel guardou da infância foram aqueles momentos com mãe. De noite, quando todos já tinham ido dormir, ficava com ela na cozinha, enquanto ela cozinhava o feijão no fogão a lenha do canto da cozinha. Mãe sentava de frente para o fogo, aquecendo as mãos, enquanto a panela fervia. Zequiel ao seu lado, não fazia noção da beleza do quadro que protagonizva. Anos mais tarde, lamentaria profundamente não haver um registro fotográfico daquele instante, além do pouco que a sua memória conseguira segurar. Observava mãe cochilando e quando chamava por ela, negava que estivesse dormindo. A cena se repetia a cada dia, até que o feijão estivesse cozido. Ai ela puxava as brasas para a boca do fogão e derramava água para apagar o fogo. Zequiel pegava a lamparina e a puxava pela mão. Paravam em frente ao filtro e ele bebia um pouquinho de água. Bem pouquinha, para evitar ser surpreendido pelo xixi antes que tivesse tempo de se levantar, como às vezes acontecia. E isso não era raro. Por isso é que pai se levantava todas as noites e fazia a ronda nos quartos, para acordar os meninos, pois o sono pesado invariavelmente fazia a cama acordar encharcada. Mãe era muito paciente. Não ralhava nem mesmo quando Zequiel, já meio adormecido, levava a lamparina acesa à torneira do filtro, como se fosse a caneca para beber água. Depois, iam até o quarto. Mãe puxava o cobertor que ela já deixara preparado sobre a cama e ele se enfiava por baixo. Ela cobria o seu corpo de menino antes de dirigir-se ao próprio quarto. "Bença, mãe". "Deus te abençoe, meu filho". Era este o ritual. E a casa mergulhava no escuro e no silêncio da noite.

Pai se levantava às 4 e meia, cinco horas. Zequiel ouvia a movimentação na casa e ouvia o rádio ser ligado. Música sertaneja de raiz que aprendeu a gostar através de Pai. Os irmãos eram acordados. Lavavam o rosto, vestiam a roupa e faziam um lanche antes de sair. O rádio ligado embalava o tempo de sono que lhe restava até mãe vir chamá-lo.

Zequiel carregava o bornal com as marmitas e a merenda que mãe preparava. Era por volta das 9 horas quando saia de casa, até onde pai e os irmãos trabalhavam. Ora estavam na plantação, ora na carvoaria, dependendo da epoca do ano. Quando voltava, outra tarefa já o aguardava. Alimentar os porcos que a família criava. Não eram muitos, só para a despesa de casa mesmo e, eventualmente, quando havia cria, Pai às vezes vendia um ou outro leitão.

Por volta de 11 horas mãe procurava sintonizar a Rádio Nacional de Brasília. Ficavam pertinho do rádio, para driblar o sinal ruim e ouvir as histórias que eram contadas no Programa da Tia Leninha. Eram contadas aos poucos, em capítulos diários, que o aproximava ainda mais de mãe, pois, quando terminava, conversavam longamente sobre o desenrolar da história e sobre as lições que os personagens aprendiam.

E, assim, aprendia também.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

HISTÓRIAS DO MENINO EZEQUIEL I

Ninguém podia com aquele menino Ezequiel. Era o xodó da família, desconfio que era porque conseguia levar todo mundo nas lábias, vendendo hstórias falsas como se fossem casos acontecidos. Era o sexto de uma família de onze irmãos. Tamanho de família que não se faz hoje em dia. Cinco irmãos, meninos homem e seis meninas criados todos na roça , no povoado do Batistinha, assim batizado por causa de um antepassado seu, homem que parecia gato, porque seis vidas, no mínimo ele tinha. E, de cada uma o Zequinha dava notícia. Menino danado. Mas tinha um bom coração e, quando não podia fazer nada para ajudar alguém, desfiava uma reza que só ele conhecia, contristado, sentado no velho pilão que ficava na cozinha de casa. “Que ta fazendo aí, Zequiel?”, mãe perguntava, sem esperar resposta, porque, nessas horas, o menino só tinha pensamento para suas orações.

Muito tempo depois de falecido, a geração nova que substituiu aquela do seu tempo, ainda repetia os casos que nasceram da sua cabeça. Cabeça prodigiosa, a professora explicaria, anos depois, para a meninada, orgulhosa do conterrâneo que entrou pra história.

E, haja folha de papel para caber tanta anedota, tanta peripécia. Diz o povo do Batistinha que, já de pequeno, Zequinha conseguira uma façanha. Foi no dia em que os meninos se ajuntaram depois do futebol para exibir vantagem. Zé de Toco (que tinha esse nome, não por causa de apelido do pai, como era costume, mas porque foi se exibir um dia apostando pulo num velho toco do quintal da escola e caiu sentado em cima dele, ficando o resto da semana no hospital e o resto do mês em casa com vergonha de por os olhos pra fora da janela) começou a repetir a lenga lenga de que, nas tardes de sexta-feira, quebrava um galho de árvore e sentava em cima, chamando o capeta três vezes de forma normal e três vezes de trás pra frente. E que, no final do chamado, o galho começava a se mover, aumentando de velocidade, levando-o até onde estavam os seus sentidos. Finalzinho de tarde, meninada cansada do jogo, começava a arregalar os olhos de medo de enfrentar a escuridão que se aproximava no caminho de casa. Era sempre a mesma história, contada com graça e gosto de medar os companheiros.

Foi nesse dia que o Zequinha, que já não suportava mais o desespero de todo mundo querendo chegar em casa antes de escurecer de tudo, resolveu chamar o Zé para um teste. “Ô Zé. Hoje é sexta-feira, uai. Traz a galha que eu vou sentar nela”. E o Toco, assustado, com medo de ser desmascarado, contou que não era assim, que só acontecia quando ele estava sozinho. Mas a euforia já tomava conta e não teve outro jeito. Lalado trouxe um galho, já meio seco, de jacarandá, que estava jogado atrás do gol e o Zequinha sentou. Esperaram e nada. E a noite já ia caindo junto com a impaciência quando resolveram ir embora. E o Zequinha nem de criar alarme para chamar o demo. Pelo contrário. Não chamou, que não era homem de chamar diabo. Mas rezava aquelas rezas que, descobriu-se muito tempo depois, tinha um incrível poder de resolver os problemas dos outros. Menos os problemas do menino Zequinha, conforme vamos contar lá na frente. E, reza daqui, reza dali, o pedaço de jacarandá começou a se mexer, empinou para a frente como se fora decolar e rodopiou ao redor dos companheiros.

O susto pôs vento nas pernas dos meninos e até Zé de Toco, que assegurava a possibilidade do impossível, viu-se compelido a correr. Botava os bofes pra fora o coitado e, dizem que, em casa, de noite, não conseguiu dormir, com os olhos estatelados no teto forrado do quarto da sua casa.

E nunca mais repetiu a história, inventada como era opinião geral, de que o diabo puxava os galhos de árvore que ele quebrava para se sentar.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sobre o amor

SE ERA POUCO... NÃO ERA AMOR

Seria possível amar alguém, de verdade, e esse amor, com o tempo, acabar?

Eu, realmente não creio ser isso possível. Ao contráro da cantiga de roda (o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou), penso que não é possível quantificar o amor. Amor não pode ser pouco ou muito. É amor, apenas.

Então, porque o amor "acaba"? Porque os apaixonados de ontem se convertem em solteiros, alguns profundamente amargos, no hoje? Ah, esses apaixonados... vivem de acordo com a letra de Lupicínio: "você sabe o que é ter um amor, meu Senhor? Ter loucura por uma mulher?"

Paixão. Loucura. Ser capaz de morrer por alguem, como alguns que conheci e que, literalmente morreram... não. Paixão ou loucura ou outra denominação que se dê é paixão, loucura ou outra denominação. Não é amor.

Então, permito-me perguntar: "o que é o amor?"

"Ah, o amor, aiai, amor, bobagem que a gente não esquece, aiai", cantava Ary Barroso. Então o amor é uma bobagem? Mas se é bobagem, não tem importância... eu não sei o que é o amor. Mas, talvez o amor deva estar no nível de simplicidade ao qual relegamos as bobagens.

E, sendo simples... ai é que são elas! Ficou difícil.

Mas, difícil porque a gente o faz difícil. E se o fizermos ficar mais fácil? Lembro-me do Dr. João, um amigo que, com a esposa doente, necessitada de cuidados diários de sua parte, disse-me, certa vez, devotar-lhe o mais profundo amor. E abdicava até dos menores prazeres, para estar ao seu lado.

Bonito... queria amar assim, é o que todos dizem. Mas, quem está disposto ao sacrifício? Porque amor de verdade, mais cedo ou mais tarde, vai exigir sacrifícios. E o egoista, que não conseguir sacrificar-se, ah, esse não conseguirá amar. No seu caso, será um fogo-fátuo. Uma paixão. Uma loucura.

Porque, amor verdadeiro, tem a magia das coisas perenes. Quando se conquista, não sai mais da gente. Então, não pode acabar. Se acabou, alegre-se. Hora de voltar a buscar, porque o que acabou, era qualquer coisa, menos amor.

Porque amor... ah, amor é soma. Sempre. É a soma do carinho que se tem, do afeto, da cumplicidade, da lealdade, da amizade, do respeito... sim, porque sem respeito as relações humanas inexistem...

amor é o prazer inenarrável da presença do outro, pela qual sacrificamos quaisquer outras alegrias, porque, como disse Rubem Alves, "alegria maior não pode existir..."

e, somando-se a isso tudo uma pitada de paixão... converte-se naquela explosão, que vai perdurar em calmaria quando o fogo da paixão desvanecer.

Mas vai ficar. Porque, amor de verdade... ele sempre fica...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sobre superação

Bob Lester tem 96 anos. Que, nem de longe, aparenta. CAminhando para os 97, ele canta, dança e sapateia. Foi integrante do "Bando da lua", a banda que acompanhava Carmem Miranda. E foi um brasileiro de sucesso nos Estados Unidos.

Bob Lester tocou com nomes como Frank Sinatra, Doris Day e outros ícones da música americana. Foi um sucesso. Mas, ai...

bom, ai, Carmem Miranda morreu e ele voltou ao Brasil. Estava rico e gozava de reconhecimento por grandes nomes da música braileira, mas ai...

perdeu a esposa e filhas em um acidente automobilístico e, segundo ele mesmo, fracassou...

o dinheiro acumulado, foi perdido nos excessos e a carreira desmoronou.

Bob Lester chegou a morar nas ruas e esmolar para sobreviver. Mas, ai...

eis que o destino o encontrou na figura de um amigo, o músico Tom Jobim, que deu-lhe uma casa de presente e recuperou sua auto-estima. Mas, ai...

bom, ai veio a década de 80 e em meio a uma dessas chuvas que destroem bens e pessoas, de tempos em tempos, perdeu a casa e, com ela, o pouco que havia reconquistado.

Mas, precioso bem esse a que chamamos amigo! O destino reapareceu na figura de um nome que todos conhecem bem: Roberto Carlos. Tendo notícias da situação do amigo, é hoje, o responsável pelo pagamento da sua hospedagem.

E Bob Lester, quase centenário, canta, dança e sapateia.

E ri dos maus momentos que conseguiu superar: "eu sou a pessoa mais feliz do mundo".

Morou?

domingo, 20 de setembro de 2009

Sobre a primavera

Setembro é o mês em que se despede do inverno e dá boas vindas à primavera. Ou, pelo menos, era. Porque, nos dias atuais, já não conseguimos mais identificar, no ano, as quatro estações com as características próprias de cada uma. Antes a gente identificava assim: dias longos, com altas temperaturas no verão. Queda na temperatura e amarelar das folhas no outono. Dias frios no inverno e o florir da primavera, onde dia e noite tem a mesma duração.

Hoje, depois de castigar impiedosamente a natureza, sofremos, em consequência, um adesordem nessa que seria a ordem natural das coisas. E, pode-se dizer que vivemos uma estação única, onde todas essas características se misturam e se entrelaçam.

Ainda bem que a primavera, que está despontando, continua a trazer o reflorir da flora terrestre. Andei notando árvores em flor pelo meu bairro. E elas parecem sorrir para nós a velha e insistente esperança de uma vida colorida, ao invés do preto e branco tradicional. É na primavera que os dias costumam se cobrir de perfume e fazer nossa alma mais leve e nossos espíritos desarmados, não obstante as angústias e o stress do dia a dia.

Dias e noites com a mesma duração. Na medida certa para dissipar e para recompor as energias. Na medida certa para sonhar.

E, para amar...

sábado, 5 de setembro de 2009

Sobre aniversário

Foi num dia 05 de setembro que eu cheguei.
De mansinho, mas logo cedo...
acho que, depois de nove meses, meu pequeno corpo queria conhecer o dia e sentir o brilho da luz do sol. Então, nasci às sete da manhã...

E, assim, muita coisa na minha vida aconteceu dessa forma.
Cedo, sai de casa.
Cedo rabisquei uns versos e cedo os publiquei (embora, hoje, fazendo um exercício de auto-crítica, eu não mais publicasse "aqueles" versos).
E, muito cedo, descobri o valor do trabalho e a alegria de estar rodeado de bons amigos.

Daquele menino da roça, restou muito pouco:
esse jeito bem humorado de encarar a vida - herança de meu pai;
esse "ar de moço bom" - herança de minha mãe
e um bornal repleto de sonhos - herança de mim mesmo...

muitas aventuras vividas,
poucas loucuras
e os amores vividos e os amores por viver.

Especialmente, a certeza de viver, outra vez, aquele grande amor...

Uma fé inabalável na capacidade de transformação que todos carregam dentro de si
e a imorredoura crença no homem - apesar de tudo.

E a espiritualidade que pulsa no mais íntimo das minhas convicções, dando-me a certeza de que, na espiral da vida, pessoas e coisas vão e vem, não necessariamente nessa ordem, fazendo a vida ser como quis o poeta: bonita, bonita e bonita...

Isso é uma pequena parte de mim.
Daquele lado que a gente arrisca a contar, porque há sempre aquelas pequenas coisas de que não temos tanto orgulho.

E, ainda bem que é assim, porque, caso contrário...
que graça que a vida teria?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sobre milagres da medicina

Lendo as notícias do dia, deparei-me com uma manchete um tanto sensacionalista, mas, cuja matéria deixou-me sensibilizado. Dizia assim: "Cirurgia rara reconstitui pênis de menino de 10 anos arrancado por poodle".

Comovente relato de uma criança que, aos seis meses de vida teve o seu órgão genital arrancado pelo cão da família. Menino pobre, lá das Alagoas, um dos Estados mais atrasados do nosso país, não obstante ter produzido um Presidente da República e apesar de ter seus políticos sob o holofote constante da mídia.

Imagina a situação dessa criança à medida em que os anos foram avançando e descobriu-se diferente dos companheiros. A vergonha de encarar os colegas. A auto estima que, ao que tudo indica era inexistente. É aqui que entra o amor incondicional e a abnegação dessa figura a quem chamamos de mãe. Há dois anos seu filho não frequentava a escola e não cansava de questionar porque ele era diferente. Ela pediu dinheiro emprestado. E foi ao Rio de Janeiro procurar ajuda.

E, considerando-se que estamos no Brasil, onde a solidariedade humana ainda é relativamente abundante no mercado, encontrou uma equipe médica que ficou sensibilizada. E fez de tudo, até trazer um profissional internacionalmente renomado para fazer a cirurgia.

E, num desses milagres da medicina, o pênis foi reconstituido a partir de um retalho da parede abdominal do paciente e, em cerca de sete anos, através de nova cirurgia, será possível implantar uma prótese que o ajudará a ter uma vida sexual ativa.

Viva a solidariedade!!!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sobre "Quase famosos"

Essa cena é do filme "Quase famosos": os integrantes da Banda Stillwater e o jornalista William Miller, alter ego do diretor Cameron Crowe estão voltando de um aturnê quando o vôo passa por uma turbulência. Desesperados e pensando que vão morrer, começam as confissões: uns assumindo ter dormido com a mulher do amigo, outro declarando-se gay e todos cobrando algo de todos. Verdadeira lavanderia de roupas sujas... passada a turbulência e descobrindo-se vivos, desembarcam de ressaca moral: o gay não sabe onde enfia a cara e ninguém consegue olhar na cara de ninguém. Essa é uma das cenas mais engraçadas desse filme, uma combinação de comédia e drama na medida certa, que, não sei como, demorei tanto a assistir e cheguei ao fim com um gostinho de quero mais. Depois da versão de cinema, assisti à versão do diretor... e continuo querendo mais... mesmo não tendo, até aqui, maiores interesses em um fime sobre a história do rock. Mas, talvez seja por isso que o filme tenha me encantado tanto: trata do rock'n roll de uma forma mais comedida, como só a ficção poderia fazer. Ao contrário dos filmes biográficos que retratam as bandas de rock, como o Sex Pistols (o filme chocou meio mundo quando foi lançado), The Doors e as histórias de Ray Charles e Jerry Lee Lewis, "Quase famosos" é uma obra de ficção, ainda que a banda ali retratada tenha saído da tela grande para a fama. E, enquanto ficção, o sexo é comedido, passando longe da promiscuidade que o meio sugere, a droga é permitida e todos são companheiros. Na verdade, o filme é uma celebração à música e, como tal, passou a fazer parte da minha lista de preferidos.

E me deixou com uma sede de Bob Dylan, David Bowie, Black Sabbath, Led Zeppelin, Rolling Stones, Beatles... para focar apenas algumas das referências do filme...

sábado, 18 de julho de 2009

Sobre Júlia e o frango

Júlia é filha da minha sobrinha nº 2. Tem tres aninhos e vive me surpreendendo com a sua inteligência.

Hoje, fui levar a minha mãe para visita o meu irmão na cidade de Matozinhos, na grande BH. Hora de voltar, ele oferece um frango à minha irmã, que resolve matá-lo para trazer. Arrumam-lhe uma faca e o meu irmão traz o frango. Correndo de um lado para outro, Júlia fica observando, mas quando percebe o que está para acontecer, vem correndo e cobre o rosto em meu peito. Pergunto se ela vai comer carninha dofrango e ela, brava, diz que não quer.

No caminho de volta, fala para sua avó: "Muito feio o que você fez. Vou contar para minha mãe." Todos acham graça. "Mas o que foi que eu fiz?" E ela: " você cortou a cabeça do galo. Vou chamar a polícia." Todos riem. "Mas, Julia, você vai chamar a polícia para sua avó?" "Vou. Você vai presa e vai ficar lá, chorando".

Todos riam, mas ela estava séria. E, na hora de descer do carro, saiu pelo lado contrário ao que sua avó carregava a sacola contendo o frango...

acho que isso ainda vai dar muito o que falar...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sobre o homem que consertava lâmpadas

Essa eu ouvi hoje.

É sobre um vizinho do Godinho, meu colega de trabalho. Segundo ele, o homem consertava lâmpadas!!! Pois é. Cada uma que aparece... mas eu, que já não estranho nada de novo que aparece, achei cômico ouvir sobre a repentina fama do consertador de lâmpadas queimadas. Começou por consertar a lâmpada queimada da casa de um vizinho e, como é comum nessas situações, não demorou muito para transformar-se no "consertador" oficial das redondezas. Até cartaz colocou na porta: "conserta-se lâmpadas".

Excluindo-se as desconfianças de poucos, ia ganhando uns trocados, coisa de centavos por lãmpada consertada. Nem podia ser caro, afinal, trata-se de um produto barato. Mas, considerando-se que todos querem fazer uma economiazinha, o negócio ia de vento em popa. Praticamente ninguém questionava. Levavam as lâmpadas em uma sacola e, no dia seguinte, lá estava a sacola de volta, com as ditas em perfeitas condições.

Até que um dia, um vizinho não resistiu: "mas, como pode-se consertar lâmpada queimada? Queimou, não tem conserto..." Mas as lâmpadas que voltavam da casa do "consertador" eram a prova de que tinha jeito sim...

Resolveu, então, esse vizinho curioso (sempre tem um Tomé por perto...)a inquirir a família. Encontrou uma enteada do homem, pronta a colaborar. Com a condição, claro, de que não fosse relatado que ela contara... e o segredo foi descoberto:

Acontece que o homem era vigilante de uma grande empresa. Dessas que tinham muitas e muitas lâmpadas tipo aquelas que iluminam as residências.Sobretudo naquela época, década de 70, segundoo Godinho. Então, recebidas as lâmpadas para conserto, elas eram embrulhadas em papel jornal e levadas para a empresa junto à marmita do "consertador" que, durante o seu plantão, fazia o "trabalho", quando não estava sendo observado.

Dia seguinte, antes de sair para o trabalho, o "conserto" estava lá, na mesma sacola em que os objetos haviam recebidos, para perfeito uso, em troca de vinte e cinco centavos.

até o dia em que a enteada resolveu espalhar a história e o gerente da empresa descobriu porque queimavam tantas lâmpadas nos galpões da empresa...

ai foi demitido. E finalmente percebeu que consertar lâmpadas não compensa...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sobre Michael Jackson

A idéia é não escrever sobre, ou mesmo emitir opinião pessoal. Mas, o blog não poderia deixar de reproduzir o texto do jornalista Reinaldo Azevedo, de VEJA:

"AS PARCAS

Perguntam-me se não vou escrever nada sobre a morte de Michael Jackson. Música pop não é exatamente a praia em que ando com mais desenvoltura. Até onde acompanhava, esse rapaz teve a sua fase de ouro. Era, no gênero, talentoso, criativo, ousado. Mas é possível que tenha se deixado trair pelo mais perigoso de todos os demônios da legião que nos tenta todas as horas do dia: aquele que nos sopra aos ouvidos que nossas qualidades derivam de nossos defeitos; sem estes, não teríamos aquelas. É uma das farsas grotescas do diabo. Os defeitos, é claro, são só o que nos atrapalha.

A partir de um momento de sua trajetória, Jackson parecia mais livre do que todos nós, a tal ponto que resolveu recriar a própria imagem. Pensem um pouco. É o espelho que, no dia a dia, recolhe os nossos cacos e os cola numa inteireza: “Este é você”, ele nos diz. Olhando-nos, podemos ver a nossa própria consciência, as dores que só nos conhecemos, os medos que não confessamos. Está tudo lá. Diante de nossa própria figura, na solidão, o coração pode, então, como num soneto antigo, estampar-se no rosto. Não há plástica ou cosmética que possam nos livrar de nós mesmos.

Refugiado em Neverland, Jackson quis ser “Outro”, dissociando o que ele realmente era daquele que ele via. O que o espelho nos mostra de mais importante não são, pois, nossas rugas, nossos cabelos brancos, nossos quilos a mais ou a menos. Dia após dia, ele resume a nossa vida. Vemos, parafraseando Drummond, o queixo de nosso pai no nosso queixo; marcas da família desenhando nossa idade madura e nos acenando com a velhice — vislumbramos o nosso queixo no queixo de nossos filhos: sobreviveremos. Justificamo-nos, enfim, diante dele, tentando, à saída, uma última conciliação: quem sabe ele nos perdoe e nos diga um “Siga adiante”. E ele costuma dizer. E só por isso tocamos o barco.

Como era com Jackson? Pouco importa a causa imediata de sua morte, o que se viu foi um dos suicídios mais lentos do showbiz, área em que ou se desaparece muito cedo, como a evocar a máxima de que “morre cedo o que os deuses amam”, ou se entra em decadência, com o esquecimento e a irrelevância cortejando a estrela. Ele ainda tentava mudar a escrita do destino, buscando um renascimento com shows na Inglaterra. Não houve tempo. Os deuses roubam quando dão. E o mais perverso de todos os novos deuses olímpicos é a fama. Jackson foi eliminando progressivamente a memória de si mesmo, ficando sem passado. E, à medida que mergulhava sabe-se lá em que doença do espírito, tinha menos o que dizer para o futuro. O garoto genial (para o gênero ao menos) de Thriller era uma carcaça. Jackson, morto em vida, estava oco de si mesmo. Aquele do espelho não era ele, mas também não era ninguém. De fato, havia morrido fazia tempo. Seu sofrimento não deve ter sido pequeno.

Algo em nós se perde quando se vão os ídolos de uma época, ainda que não nos dissessem grande coisa. Farrah Fawcett — convenham: era a única “Pantera” com a qual realmente nos importávamos, ao menos os garotos — também morreu nesta quinta. A figura, antes exuberante, lutava contra um câncer e estava afastada do mundo das celebridades. Por que de algum modo isso nos comove ou, ao menos nos constrange, trazendo-nos desconforto?

Porque eram do nosso tempo, e sabemos que as três Parcas que zelaram pelo destino deles também zelam pelo nosso. Não param de fiar. Dia e noite. Noite e dia. Lá está Cloto, fazendo girar o fio do destino dos homens, cuidando de uma roca que desce do céu. Com as vestes semeadas de estrelas, Láquesis põe o fio no fuso, até que chega Átropos, com sua vestimenta negra, e pimba! Corta-o. Inapelavelmente. Alguns intérpretes da Mitologia Grega as querem filhas da Necessidade e do Destino. E têm a idade da Noite, do Céu e da Terra. Para sempre.

Criamos muita desgraça, mas também muita beleza tentando, inutilmente, dar um truque nas Parcas. Mas elas nos acham. Nesta quina, Cloto se encarregou de Michael Jackson e Farrah Fawcett. Um dia achará o nosso fio."

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sobre doação de órgãos

O nome dela é Iza. Minha conterrânea, de Alvinópolis tem 16 anos e até a semana passada tinha uma vida normal. Repentinamente, notou alterações na coloração da urina e olhos amarelados. Sintomas de hepatite, que evoluiu rapidamente, ganhando contornos de gravidade inesperada. De Iza passou a ser prioridade absoluta na fila de transplantes de fígado, a única possibilidade de voltar a levar uma vida normal.

Minha cidade tem ares de arraigada religiosidade. E um índice de solidariedade que supera quaisquer expectativas. E, tão rápido quanto a evolução do quadro clínico da menina Iza, a cidade de uniu em preces. E o novo fígado chegou.

Essa situação me fez pensar na brevidade dessa existência. E na beleza dos atos daqueles que se transferem para um novo plano e permitem que seus orgãos animem outros corpos. Foi pensando nisso que encontrei esse vídeo no youtube. Ele fala por mim:

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sobre desafios da educação

“Censo aponta formação deficiente de professores.” É com essa chamada que o jornal “Folha de São Paulo” de hoje anuncia matéria sobre os dados do Censo da Educação Básica, realizado pelo Inep, Instituto de Pesquisas ligado ao Ministério da Educação, que trata da falta de qualificação de parcela considerável dos professores que, em sala de aula, são responsáveis pela educação formal de milhares de crianças e adolescentes brasileiros.

Esse deve ser, em minha modesta avaliação, apenas mais um dos instrumentos de que o governo dispõe, apontando a falência do nosso sistema de ensino. Professores despreparados fingem que ensinam, enquanto alunos desmotivados já nem perdem tempo insinuando que aprendem alguma coisa. É lamentável.


Há algum tempo, fui protagonista de um projeto que visava preparar alunos do curso noturno, da oitava série de uma escola pública da rua onde moro, para inserção no mercado de trabalho, trabalhando conteúdos de provas de concursos. Nenhum dos envolvidos conseguiu elaborar um currículo que os apresentasse ao mercado de trabalho. Havia aluno com dificuldade em grafar, de forma correta, o próprio nome. E olha que estamos falando de adolescentes da oitava série do ensino fundamental!

Carentes de todo tipo de incentivo, saíam da sala a todo o instante, para fumar ou conversar com os amigos. Tal conduta parecia ser uma prática disseminada no ambiente escolar, tanto que uma das professoras da referida escola, duvidando de que pudéssemos alcançar algum resultado, relatou que as suas expectativas estavam voltadas para a aposentadoria a sair em breve e que, então, iria “esquecer que esses alunos, um dia, cruzaram meu caminho.”

Por esse breve relato, dá para perceber que o Projeto não pode ser levado adiante. Até porque trabalhávamos com conteúdos dos quais os participantes tinham grande deficiência. Tinham dificuldade de ler e, quando o faziam, não alcançavam o entendimento da matéria. A escrita era sofrível, chegando ao cúmulo de iniciar uma palavra com dois s. E, não obstante o interesse demonstrado por um pequeno grupo, a maioria carecia de motivação.

É essa a motivação que falta, igualmente, aos mestres que, em sala de aula, não conseguem transmitir o básico aos estudantes. As alegações vão desde o baixo salário até a ausência de condições para o desenvolvimento de um programa que satisfaça às necessidades de aprendizado.

Pergunto-me se foi assim desde o sempre ou se a falta de qualidade da educação é um privilégio de nossos dias. Lembro-me de Donana, minha primeira professora, na Escola Estadual Duque de Caxias, na zona rural, que, carteira a carteira, incentivava cada um de nós ao exercício do pensar e à prática da escrita, ajudando a desenhar as letras, sabendo que, da sua classe sairiam alunos formalmente bem treinados e, moralmente preparados para enfrentar a vida. Lembro-me de uma das últimas visitas que lhe fiz em Alvinópolis e da paixão com que falava da profissão, embora, fazendeira que era, não tinha maiores necessidades que a obrigasse ao exercício do magistério.

A qualidade do ensino parece deteriorar-se, em primeiro lugar, pela falta de compromisso profissional de muitos. Em segundo lugar porque o professor, em sala de aula, acaba ficando refém da vontade dos alunos, nestes tempos em que a violência impera. Haja vista o número crescente das queixas registradas por professores em delegacias de polícia. E aqui não estamos considerando a maioria das agressões que não passam dos portões escolares. Questões financeiras e a falta de investimento na capacitação continuada dos profissionais da educação ampliam as dificuldades. E, para completar, a ausência de uma estrutura familiar sólida consolida o caos.

Rubem Alves, no seu texto “Gaiolas e asas” observa:

“sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e as domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.

Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha com os tigres.”

Diante dessa observação, verifico o quanto de privilégio recebi pela alegria que me proporcionava sair para ir à escola, bem como o sorriso da mestra, marcado para sempre na lembrança, do seu amor pelo ensino e do seu prazer em ensinar. Mas, como tudo aquilo que recebemos neste mundo não deve enclausurar-se em nós mesmos, pergunto-me: qual a contribuição efetiva podemos oferecer para incentivar a capacidade criativa de cada aluno, dando-lhe suporte para desenvolver a arte do pensar? E se eles ainda não aprenderam a querer, o que fazer para que enxerguem na mágica do aprendizado o caminho para traçar o seu futuro?

É... sinceramente... eu não sei.

domingo, 17 de maio de 2009

Sobre desapego e uma história de minha mãe


Veio-me à mente, hoje, uma das muitas histórias que minha mãe contava quando eu era criança. Era uma maneira que ela encontrava de nos educar, ilustrando a lição que desejava passar, com algum "causo" ou história com um fundo moral e edificante. O que acho interessante é que os meus pais mal estudaram. Pai deve ter parado na segunda série e mãe, salvo engano, foi um pouco mais longe, estudando até a terceira série do ensino fundamental. Curioso que os dois foram os primeiros incentivadores que eu tive, a sedimentar o meu interesse pela literatura. Sem saber, contribuíram para melhorar o meu vocabulário e, não é que a formação intelectual colabora para o aprimoramento moral?

Pois bem. Aquelas histórias ajudaram a construir o meu caráter, me abriram as portas do mundo mágico da leitura e me prepararam para enfrentar a vida. Essa que me ocorreu hoje, fala sobre desapego, algo não muito fácil de ser cultivado nesse mundo materialista, onde o ter supera por largo percentual o ser. É a história de uma mulher que cultivava uma grande horta no quintal e, sempre que algum de seus vizinhos lhe pedia algumas folhas de cebola, corria a escolher as folhas secas, que já não podiam mais ser aproveitadas e deveriam ser descartadas. Trazia um molho que entregava sorridente a quem esperava. Isso se repetiu por vários anos, até o dia em que a morte, passando por ali, resolveu que estava na hora de levá-la.

Assim que abriu os olhos do outro lado da vida, ela percebeu que uma escada balançava à sua frente. Na verdade, era a escada que a levaria ao céu. Mas percebeu um detalhe: os degraus foram trançados com as folhas de cebola que ela distribuíra ao longo da sua vida. Compreendendo a situação, agarrou-se ao primeiro degrau e começou a sua escalada para o paraiso. Ia subindo, assustada, percebendo a fragilidade das folhas que a sustentavam. Lembrou-se de cada um dos rostos frustrados a quem distribuira cebolinha da sua horta. E lamentou-se não poder, naquele momento, fazer diferente. Subira até a metade, quando as folhas começaram a ruir e, soltando-se, caiu no inferno que se encontrava abaixo.

Foi ai que percebeu que o paraiso é uma conquista diária, que ninguém pode tirar-nos, exceto nós mesmos, dependendo das atitudes que adotamos em relação ao nosso próximo. E que a maior dor que pode o ser humano enfrentar, não está no sofrimento físico, mas, sim, no remorso e na consciência culpada.

domingo, 3 de maio de 2009

Sobre vender a alma

Já ouvi muitos casos de pessoas que enriqueceram depois de vender a alma. Alguns incrédulos acham graça do volume de coisas que continuam acontecendo durante o período da quaresma, mas, para pessoas que não cultivam o hábito da mentira, assim como eu, afirmar determinados fatos precisa de embasamento para não cair no descrédito. E, ainda bem que a receita que vou postar hoje, veio de uma pessoa acima de qualquer suspeita. Foi assim:

Domingo é dia de culto. Já perdi a conta do número de cultos realizados aos domingos na casa da Gelma. É um momento de espiritualização e, ao mesmo tempo, um momento maior na amizade que a gente cultiva há muitos anos e, certamente, há muitas vidas. Depois do culto, vem o café e esse é o momento de colocar em dia os últimos acontecimentos da semana, de se inteirar da vida do outro e, vá lá, uma fofocazinha discreta não faz mal a ninguém.

E, vez por outra, esses momentos são enriquecidos com piadas e alguns "causos" que a gente evoca de algum dos nossos antepassados. E, dá-lhe histórias.

O diferente, nesse domingo, ficou por conta de uma receita, digamos, inusitada. É que, apesar de conhecer diversas pessoas que enriqueceram depois de "vender a alma", até então não tínhamos a receita. Não é que ela apareceu? Pois é, nada como um domingo entre amigos-família...

Segundo a Gelma, funciona assim ( e funciona mesmo, é só fazer...):

O interessado deve procurar uma mata virgem, numa sexta-feira da paixão, à noite, munido de uma toalha, uma caixa de alfinetes e uma tesoura, também virgem. O ritual deve ser feito da seguinte forma: estende-se a toalha, coloca-se sobre ela a tesoura aberta e, ao centro, despeja-se os alfinetes. Aí é só sentar-se de pernas cruzadas e aguardar. À meia-noite, o diabo aparece, chapéu na cabeça, montando um cavalo. Ele se sentará em frente ao candidato, também de pernas cruzadas. Em seguida, os alfinetes se transformam em samambaias, que ele irá mastigando, enquanto os pedidos de riqueza são formulados.

Depois disso é só desfrutar da riqueza que se pediu.

O único problema é que, ao morrer, quem comparece ao seu funeral? Ele mesmo, montando o mesmo cavalo e usando o mesmo chapéu. Posta-se à cabeceira do caixão do morto, avisa aos presentes que aquela alma lhe pertence e os seus capangas a recolhem, imediatamente.

Para onde vai? Bom, ai a gente não sabe, porque nenhuma dessas almas conseguiu voltar, até hoje, para contar. Mas que funciona, ah, isso funciona. Eu mesmo conheço vários que enriqueceram assim...

domingo, 26 de abril de 2009

Sobre a elegância

Os amigos, via de regra, são especiais. Até porque, caso contráro, não os consideraríamos amigos. E eu, que tenho o privilégio de poder assim considerar algumas, das muitas pessoas com quem tenho convivido ao longo dessa existência, vivo a reparar nos modos e em como as pessoas são únicas. E, dento dessa unicidade de cada um, observando como o ser humano costuma ser deselegante, foi que passei a observar como, aleatoriamente, aqueles que escolhi para amigos, costumam se diferenciar nesse quesito. Fui pesquisar o significado de elegãncia e, sem surpresa, encontrei no "Aurélio": "distinção de porte, de maneiras", "graça, encanto, garbo. Gentileza, finura, amabilidade. Delicadeza, cortesia. Apuro, correção, harmonia..." Era o que eu pensava: não é fácil ser elegante e, a meu ver, elegãncia não se ensina. Mas, pode-se aprender. As pessoas elegantes o são naturalmente. São os gestos, o olhar, o falar, o agir. É todo um conjunto.

O pintor francês Toulouse Lautrec sintetizou o que eu gostaria de falar acerca da elegância:

"Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante, você fazer algo por alguém , e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

" É elegante o silêncio, diante de uma rejeição... "

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do Gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza,.atitudes gentis falam mais que mil imagens...

...Abrir a porta para alguém...é muito elegante (Será q ainda existem
homens assim?)...

...Dar o lugar para alguém sentar...é muito elegante...

...Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...

...Oferecer ajuda...é muito elegante...

...Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas
tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras".

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

Educação enferruja por falta de uso.

E, detalhe: não é frescura.

(Para Vivi, uma das pessoas mais elegantes que conheço).

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre amores e silêncio

O Silêncio

Ao amor que não veio
construo paráfrases e metáforoas
sórdidas

Meu canto é surdo:
brota além dos signos oníricos
do apocalipse

e silencia.

(In: Quarador, Anome, 2003)

terça-feira, 31 de março de 2009

Sobre blog, amigos e chuvas

Este blog nasceu em quinze de dezembro de 2008. É, ainda, um bebezinho que necessita muitos cuidados e muita atenção. Felizmente, recebe muitas visitas e, recebe, igualmente, muitos mimos, tantos que, na maioria das vezes não é merecedor. Mantê-lo, não é muito fácil, pois às vezes insiste em querer alimentação nas horas mais estranhas do dia ou da noite. E é nesses momentos que precisa receber umas linhas, caso contrário a idéia foge e, pelo menos aquela já não volta mais. Mas, o prazer de conhecer e conviver, pelo menos virtualmente com pessoas e culturas diversas, esse é inigualável e é o segundo motivo da escrita. O primeiro é a satisfação pessoal, que independe de qualquer outro estímulo externo. Aliás, se não há prazer, escrever para que? Ou, para quem? Que o diga algumas pessoas especiais que costumam, nas suas andanças, dedicar um tempinho a esse recem nascido (com ou sem hifen?) Que o diga o Bis que transformou-se em um "ombudsman" das letras que pingam por aqui e já foi responsável por um texto postado e retirado em seguida, por não estar "à altura" da "linha editorial". Foi a única vez que escrevi algo sobre o Big Brother Brazil. Em outra oportunidade, o texto foi reescrito e nada restou do original, porque o "tom emocional" com que foi escrito também não combinava com o estilo "light" que foi proposto aqui. E eu que pensava guiar, sozinho, as minhas próprias mãos!

Mas, nesses pouco mais de três meses, teve o carinho de Abel, Lou, Lara. Uma família inteira que, vez por outra, vem beber da fonte. É por isso que as águas que correm por aqui precisam estar sempre limpas e sempre abundantes...

Essa coisa de citar nomes é cruel, porque acabamos por ser injustos. E eu serei, de qualquer maneira, com amigos que se fazem presente aqui. Mas, já que sentei para escrever sobre as chuvas e o grito de socorro da natureza, assunto que ficará para o próximo post, preciso agradecer à Babi (anda sumida!) que, em uma de suas passagens deixou um mimo em forma de selo, à Valéria, também apaixonada pelas palavras, que alimenta quase todos os posts e causa tristeza quando não o faz e, ainda Marcos Martino, músico, amigo e conterrâneo de cuja presença já nos acostumamos...

Glauco passou por aqui ainda em dezembro, quando os primeiros textos eram escritos. Trouxe o primeiro selo e o primeiro incentivo e, daí em diante...

daí em diante, que coisa estranha. Penso escrever sobre um assunto e sai outro... agora, por exemplo, sentei-me para escrever sobre as chuvas. As águas de março, famosas na música de Jobim, que agora transformaram-se em "enchentes de março", um pedido de socorro do planeta, face às reiteradas atitudes do homem. Mas, como esse foi o assunto que mais abordei até o momento, talvez por isso, pensei chuvas e falei de amigos. Quer coisa melhor?

domingo, 22 de março de 2009

Sobre um jantar especial de domingo

Toledo é um pequeno povoado que está situado entre a Sede do município de Alvinópolis e o Distrito de Fonseca. É daqueles lugares onde a infância é construída ou vivida de forma lúdica, onde ao lazer, mistura-se a necessidade de colaborar com o trabalho executado pela família e onde o sobrenatural há muito tornou-se rotina de situações naturais entre os habitantes. Do que vivi ali, lembro-me dos muitos casos de situações verídicas vividas pelo meu pai e que, oportunamente, serão transformados em exercícios literários. Lembro-me, igualmente, do meu irmão mais velho chegar em casa, muito tarde, naqueles horários que a minha mãe classificava de “horas mortas”, tremendo dos pés à cabeça, depois de ter sido apedrejado por criaturas invisíveis. Crédula, até a raiz dos cabelos e cheia de razão, mãe não cansava de repetir que já lhe avisara para não ficar jogando truco até aquelas horas na casa dos outros. Acrescente-se que não tínhamos energia elétrica no povoado, o que dava ao lugar ares de mal assombrado, tão logo passava das seis horas...

O que eu vou contar hoje, aconteceu em um domingo. E nossos domingos eram agitados. Tinha culto na igreja, que, a propósito, era em frente à minha casa, os rapazes jogavam futebol no campo, muitas vezes, recebendo times de povoados próximos, como Zamparina, Contendas ou Cata Preta, o almoço era especial e a tarde era animada com os três butecos que havia abaixo do adro da igreja abrindo suas portas para vender bebidas, salgados e outros produtos. Tudo em temperatura ambiente, já que não havia gelo em decorrência da ausência de energia elétrica. No final do dia, os mais velhos que jogavam bingo permitiam que nós, crianças, gastássemos as parcas moedas que o pai nos dava para um pouco de diversão com eles. Viravam as caras à nossa participação, já que, ganhávamos e abandonávamos o jogo em busca de outros interesses.

Mas, nesse domingo, aconteceu algo diferente. Foi na casa de Tião de Caxambu, carvoeiro que trabalhava para Vivi, da Fazenda da Limeira. Morava com a família lá no alto da Mata, onde a sua mulher passava o domingo sozinha, já que todos estavam fora. Foi no final da tarde que a coisa aconteceu. Alguém chegou trazendo a notícia de um pedido de socorro, que a mulher estava trancada em casa, cercada por um bicho esquisito. Ai começaram as versões. Que bicho era esse? De onde viera? Seria de outro mundo? Os homens correram em casa, pegaram as armas e arriaram os cavalos. Meu pai pegou a espingarda que ficava pendurada entre dois pregos na sala e que ajudava a espantar os pretensos namorados das meninas, juntou-se aos demais e saíram a galope.

Não sei quanto tempo durou a missão de salvamento. Lembro da nossa ansiedade para saber que bicho era aquele e não parávamos de dar palpites. Acho que, pelo menos entre as crianças, ninguém se preocupou com os homens, já que, não imaginávamos que eles correriam algum risco. Eu, de minha parte, sempre tive no meu pai um super homem e, diante dos casos que ele contava, de situações que vivera, isso não era nada.

Voltaram quando já escurecia. Corremos ao encontro dos cavalos que apareceram na estrada. Vinham rindo, conversando. E fez-se uma roda: todos queriam saber, afinal, que bicho era aquele. E foi um misto de alívio e decepção: Nada de sobrenatural. Nada de bicho do outro mundo. Era só uma capivara, que, acuada, foi morta e teve a carne dividida entre os homens que participaram da missão. Pelo visto, era bem grande...

Naquele dia, em todas as casas do povoado, além do almoço especial de domingo, o bicho da mata proporcionou uma novidade: o jantar de domingo. E a mulher do Tião passou a ser olhada com desconfiança: afinal, que mulher é essa, que mora na mata e não conhece uma capivara?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Sobre carros voadores, família Jetsons e vida imitando a arte

Hoje, quem assistir a um episódio do desenho “Os Jetsons” e se deparar com o personagem Cosmo Spacelly digitando uma carta à sua secretaria-robô, não deve estranhar. Mas, para a época em que foi produzido, tudo ali era futurista. O computador que corrige a palavra digitada, a própria secretária, o prédio onde a empresa está instalada e os meios em que se chega até ela. O seu empregado George é o chefe da família que dá nome à série. É casado com Jane, uma dona de casa que adora fazer compras no shopping e eles tem dois filhos adolescentes: Judy, que, naturalmente, se preocupa com namoros, compras e o seu visual, além de estudar biologia e Elroy, de dez anos, um gêno precoce das ciências espaciais. Ah, e tem , ainda, o cachorro Astro, que se joga em George, tão logo ele chega em casa. Completa a família a empregada Rosie, um robô de um modelo fora de linha,mas que a família adora e não tem coragem de trocar por um novo.

“Os Jetsons” é um dos desenhos animados que mais empolgação me causava na infância. Seja pelo fato de a história girar em torno de uma família comum, embora em um cenário futurista, seja por causa desse mesmo cenário que, entre outras coisas, trazia um céu congestionado por carros voadores.

Carros voadores? Isso mesmo. E, parecia fantástico até recentemente. Mas já não é. Está previsto para 2011 o lançamento do Transition, um híbrido de carro com avião, ou seja, um carro voador. Por enquanto, funcionando a gasolina, o veículo pode alcançar até 85 km/h e tem autonomia de vôo de mais de 700 km.

Daqui a pouco, estaremos voando, nós mesmos, com algum equipamento acoplado ao corpo, sem a necessidade de veículos, como já aconteceu em um experimento recente. E, como também acontecia com a família Jetson, quando George deixava os filhos na escola e a mulher no Shopping: desciam dentro de uma cápsula que era ejetada do seu veículo voador.

Parece que a dupla Hanna-Barbera, criadores desse e de mais uma infinidade dos desenhos que animou momentos preciosos de nossa vida antecipou a realidade que estava por vir. Pena que não anunciou o fim do congestionamento do trânsito, mas, apenas a sua transferência para o espaço aéreo...

sábado, 14 de março de 2009

Sobre generalização da violência

Vejamos algumas manchetes dos jornais de hoje: "Mãe acusada de vender a filha", "Batidas levam 47 pessoas por dia ao HPS", "Acidente mata seis em Rodovia", "Sobrinho atira no próprio tio", "Estudante é morto na porta de escola"... melhor parar por aqui.

Essa semana, em Brasília, conversava com o amigo Jorge Coutinho, ator e atual presidente do Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro, sobre a criação de oportunidades para jovens e adolescentes em situação de risco social. Houve um momento da conversa em que, diante da recapitulação de tantas barbaridades que andam acontecendo, que eu falei que, às vezes, penso que o Rio não tem mais solução. Este post é para corrigir o meu raciocínio. A violência deixou, há muito, de ser exclusividade dessa ou daquela região, em que pesem as diferenças de métodos e a regularidade com que acontecem no Rio de janeiro. A violência, globalizada muito antes que soubéssemos da existência dessa expressão, ganhou o Brasil, de norte a sul, com situações que, se descritas em detalhes, acabaria com o pouco de fé que ainda temos na espécie humana. E, deixando de ser um problema das cidades grandes, espalha-se como uma praga pelo interior. Exemplo é a minha pequena Alvinópolis, onde casos de estupro, homicídios e assaltos estão passando a ser encarados com naturalidade pelas pessoas. Tráfico e uso de drogas então, já faz parte da rotinae, recentemente, até uma tentativa de sequestro ocorreu.

O problema da banalização da violência é que passamos a enxergar qualquer notícia dessas que vendem as edições dos jornais e mantém atenção nos noticiários televisivos como coisa normal. Aos poucos vamos perdendo a nossa capacidade de indignação, único fator que pode contribuir para mudar a situação atual.

Vide o exemplo da menina de nove anos, grávida em decorrência dos abusos cometidos pelo padastro. A discussão que ocupou a maior parte do noticiário foi a excomunhão dos médicos que fizeram o aborto, pelo Arcebispo de Olinda. E aquilo nem deveria ser tratado sob a ótica de uma prática abortiva, mas, uma questão de ética médica, já que, a partir do momento em que aquele útero não suportaria a gravidez e, na iminência de a mãe não dar conta de levar adiante a gestação, o que haveria a fazer? Salvá-la, é claro. Ainda bem que essa Instituição perdeu qualquer condição de julgamento das atitudes do homem, a partir das proprias atitudes que vem tomando ao longo da história.

O que é uma excomunhão, senão um julgamento e a condenação de uma atitude? A meu ver, é anticristão, já que os ensinos Cristãos mandam, expressamente, que nos abstenhamos de julgar. Porque não propor soluções que humanizem as pessoas, reduzindo, assim, a incidência das barbaridades que se anda cometendo por ai, sobretudo contra crianças e adolescentes? Porque não reforçar os valores e os laços familiares já que o enfraquecimento da instituição família está na raiz de muitas das notícias que enchem as páginas policiais?

Enquanto a gente se cala, o mal avança. Até o dia em que venha a bater em nossa porta. E aí será tarde demais.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Sobre Manel, o sem noção

Manel vinha descendo a Av. Tereza Cristina, a partir da Cidade industrial. Estava voltando de um chopp com os amigos, depois do trabalho. Era sexta-feira e, solteiro, não tinha satisfações a dar. Foi assim que desceu, desceu e, de repente... "opa! Como é que uma moça fica andando assim neste local, nessa hora da noite?" E Manel parou o carro. "Moça, cê não deve ficar andando aqui sozinha nesse horário. É perigoso". E ela: "uai, o que você propõe?" "Uma carona", animou-se todo Manel. "Te dou uma carona". "Pra onde você vai?", ela quis saber. E ele: "pra onde for bom para você". Foi ai que a morena entrou e ele pode observá-la melhor. "Que tantão", pensou ele, reparando nas "curvas" e imaginando se ela ia querer algo com ele, ao mesmo tempo em que lamentava-se por não ter nenhuma bala, nenhum halls ao ao alcance da mão. E ela: "pode continuar descendo, ai depois te mostro onde você entra à direita". Manel pisou fundo e ela mostrando o caminho, à direita, esquerda, esquerda novamente e..."pode entrar ali". "mas, aqui é o Red...ah, meu Deus". Fazer o que, àquela altura do campeonato? Em instantes, lá estava Manel e a desconhecida, devidamente instalados. Nem perguntara seu nome e, agora, quem é que ia querer saber de nome? Melhor aproveitar, antes que ela mudasse de idéia. Nem pensou duas vezes. lambuzou-se até se fartar. Depois, deitado de barriga pra cima, ele resolve puxar assunto: "moça, mas você, hein?" E ela: "Me leva agora". E ele: "para onde?" "para o lugar onde você me pegou, uai!" Manel estava confuso, mas, nas circunstâncias, melhor obedecer. Vestiram-se, ele pagou a conta e sairam. Já no mesmo local onde a vira, ela pediu: "pode parar aqui. São cincoenta reais". "Cincoenta reais o que?" "O programa, uai". "Mas eu não pedi nada", respondeu Manel, o sem noção. E arrancou, quase carregando consigo a perna da 'moça'. "Eu, hein. Esse mundo tá doido mesmo. A moça me pede carona e ainda quer receber?", pensou enquanto acelerava, relaxado, pronto para descansar do dia cansativo que tivera.

Tem noção nenhuma esse Manel.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Sobre o amor premiado

É muito bom acompanhar histórias de superação. É muito bom assistir injustiças que são corrigidas. Mas é melhor ainda quando tudo isso se junta para dar origem a uma boa histórias. E boas histórias tem conteúdo, tem romance e tem lição de vida. Em uma boa história os personagens tem garra, tem força, são testados até o limite. E tem, sobretudo, alegria de viver. Esse é o caso de “Quem quer ser milionário”, o filme que arrebatou a Academia de Ciências e Artes de Hollywood em 2009 e ganhou oito dos dez oscars a que concorria. Além dos prêmios principais melhor filme e direção, saiu atropelando os concorrentes e foi premiado por “fotografia”, “roteiro adaptado”, “mixagem de som”, “montagem”, “canção” e “trilha sonora original”. Um espanto, quando se leva em conta o baixo custo de produção e o fato de não haver, no filme, nenhuma estrela de Hollywood. Pelo contrário, meninos da periferia de Mumbai, na Índia, a exemplo do nosso “Cidade de deus” que usou atores da favela de mesmo nome, no Rio de Janeiro e, só não foi indicado ao prêmio de “Melhor filme” em sua época, por ter sido considerado “violento demais”, argumento que não foi usado na edição atual do Oscar, talvez pelo fato de ter um diretor conhecido desde a década de 90.

“Quem quer ser milionário” é o título de um programa de auditório, que lembra o nosso antigo “Show do milhão”, onde o indiano Jamal Malik está concorrendo ao prêmio de 20 milhões de Rúpias. No início, você é informado de que ele está em 10 milhões e está a uma pergunta de levar o prêmio máximo. Mas, como ele conseguiu? Como um menino pobre, nascido na favela e sem estudos conseguiu acertar as respostas das perguntas que lhe foram feitas? Ele trapaceou? Ele é sortudo? Ele é um gênio? Ou está escrito? A resposta virá no final, porque, antes, você vai acompanhar a trajetória de Jamal, do seu irmão Salim e de Latika. E vai descobrir que as situações propostas no programa se confundem, todas, com a sua história de vida.

Ao longo do filme, ele vai se superando, perdendo muito e ganhando quase nada. Mas acumulando experiências que serão fundamentais para enfrentar o programa de auditório. O melhor de tudo, talvez seja a motivação para que ele participasse do programa. Porque, o filme, ao final, revela-se uma história de amor.O amor que faz o homem trafegar por caminhos jamais sonhados ou imaginados na vida. O amor que premia aquele que o sente verdadeiramente.

É esse amor que foi premiado pelo Oscar.

domingo, 8 de março de 2009

Sobre o Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher é uma homenagem a um episodio tragico que aconteceu nos Estados Unidos. Em 1857, mulheres de uma fabrica de tecidos em Nova Iorque se rebelaram contra suas condicoes de trabalho. Foi a primeira vez que as mulheres se uniram para reivindicar melhorias.

Mas a rebeliao foi contida de forma violenta, culminando com a morte de 129 tecelas, que morreram carbonizadas dentro da fabrica. Em 1910 surgiu a ideia de se criar uma data para homenagear essas operarias e marcar um dia de luta feminina. Em 1975 a Assembleia Geral das Organizacoes das Nacoes Unidas (ONU) decretou o dia 8 de marco como Dia Internacional da Mulher.

No Brasil, o direito ao voto so e reconhecido na Constituicao de 1934. A primeira governadora eeleita 60 anos depois. De acordo com dados da Fundação Carlos Chagas, no periodo de 1981 a 1998, o crescimento das mulheres economicamente ativas no país foi de 111%, enquanto que o dos homens foi de 40%.

Hoje, a parcela feminina representa 41% da população economicamente ativa, com 30 milhoes de mulheres no mercado de trabalho. No setor educacional, a ascensão da mulher revela-se na presença de 57% em estudantes do 2° grau e ensino superior.

De acordo com a ONU, 25% das brasileiras sao vitimas constantes de violencia no lar. Em apenas 2% dos casos, o agressor e punido e, em cerca de 70%, esse agressor e o marido ou companheiro.

Segundo o Ministerio da Previdencia Social, existem atualmente 9 milhoes de donas-de-casa no Brasil. Ate mesmo as cerca de 40 milhoes de mulheres que ocupam postos no mercado de trabalho, formal ou informal, acabam desempenhando atividades domesticas. Ou seja, no mundo contemporaneo ainda cabe, ao sexo feminino, a tarefa de cuidar do lar e da familia.
(Retirado do site: www.buscafeminina.com)

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