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Sobre infância encolhida

Em entrevista publicada nas páginas amarelas da revista Veja desta semana, Maurício de Sousa comenta o sucesso da revista da Mônica adolescente, que vende o dobro da Mônica criança. E afirma: a infância foi encurtada.

Segundo ele, antigamente, adolescentes de 14 anos liam e gostavam dos seus gibis, enquanto, hoje, começam a deixar de lê-los aos 7. A solução encontrada? Investir naquilo que parece ser a tendência do momento: a modernidade, que confere malícia aos personagens.

"Os personagens dos quadrinhos adolescentes protagonizam cenas de ciúme, sentem atração pelo outro sexo e ficam inseguros no grupo. Estão com os hormônios pipocando e não sabem o que fazer com isso... no quarto número, colocamos a Mônica beijando na boca o Cebolinha, agora chamado Cebola. Deu super certo Crianças de 7 anos voaram para o mangá como abelhas no mel. Lêem as histórias e se projetam nos nossos personagens. As meninas não vêem a hora de ser como a Mônica jovem: descolada, bonitinha, moderninha."

Bom... eu, que nasci no interior, tive a oportunidade de viver o lúdico da infância e a inocência que ainda permeava a pré adolescência. Criança de 7 anos não pensava em beijar na boca, porque achava isso nojento e, ao invés de ser descolada, bonitinha e sexy, pensava em brincar. Em ser criança.

Não está longe no tempo, até porque ainda somos jovens, brincadeiras de passar anel, pique-esconde, brincar de médico com a prima ou se esconder para vê-las tomando banho, participar dos "almoços" que as irmãs faziam com as colegas e mais um sem número de coisas que inventávamos.

As crianças estão deixando de ter infância. Encurtou-se a infância, como bem disse o Maurício. É uma pena que os formadores de opinião, que poderiam colaborar para devolver a infância perdida, acabem se rendendo à demanda de mercado. Alguém está dizendo aos pequenos, que é bonito imitar as dançarinas de grupos de funk. Estão confiscando o seu direito de viver plenamente uma fase da vida que, por si mesma, já é curta, porque dia virá, em seguida, em que haverá necessidade de se "adaptar ao grupo". O importante é que, enquanto esse dia não chega, há muito a se descobrir. Muito que uma revista em quadrinhos poderia mostrar, ajudando-os a sonhar. Dobrando-se às necessidades mercadológicas, aos apelos da indústria do entretenimento, rouba-se o sonho, a criatividade, a inocência de ser criança.

Bom seria se não industrializassem o entretenimento. Porque aí haveria espaço para inventar e reinventar, típico da idade infantil.

Eu que fui e faço questão de continuar sendo criança, nada sei sobre encurtamento da infância. A minha, cuidei para que não tivesse fim, prolongando-se por todos dias de duração da minha existência...

9 comentários:

Nossa, aqui em casa estamos por fora desse novo gibi adolescente. Minha filha tem 14 e ainda lê os gibis da Mônica criança. Eles - ela e o irmão de 10 - têm duas cestas cheias deles no banheiro, e sempre temos gibis espalhados para casa inteira.
Vou ficar bem quietinha pra eles não desconfiarem que existem. Fica entre nós. Bj!

4:44 PM  

Acredito que do jeito que está seja um processo sem volta, a infância acabou mesmo, agora a garotada fica no pc, na tv, imitando dancarinas como vc ressaltou e ness busca desenfreada deixa de viver o que é proposta para a idade. Não sei até que ponto inovações sejam um mote a ser seguido, só acredito que deve ser, se for para o bem e para a evolução saudavel da criança.

9:44 PM  

Vander tem um meme te esperando lá no meu blog.
Bj

1:48 AM  

Queremos post novo! Queremos post novo!

4:12 PM  

Menino,
seu texto está de prima.
Resgatar essas brincadeiras está ficando cada vez mais difícil. As crianças só querem saber de jogos no computador.
Assisti alguns meses atrás, um grupo, aqui em Belo Horizonte, ensinando brincadeiras antigas para crianças. Achei super legal. As crianças adoraram, e os pais também. Acho que eles encontram em frente ao Colégio Arnaldo, todo sábado pela manhã.
Abraços.

7:00 PM  

O problema dos tempos atuais é que o tal de marketing tratou de transformar tudo em mercadoria. Até os sonhos viraram mercadoria. Hoje já se vende sonhos prontos, desses que a gente só precisa colocar no microondas e cozinhar por alguns minutos. Agora, vamos e venhamos. Demorou pra fazerem a Mônica e sua turma adolescentes. O Mauricio já ensaiava isso há muito tempo. Ele também tem seu departamento de marketing. Vejam por exemplo o Super Homem que já vendia horrores, deu subprodutos também rentáveis como o Superboy da série, Supermoça e até o Supercão. Mas voltando à infancia encurtada, talvez o exemplo mais emblemático de que me lembro é do livro Admirável Mundo Novo de Aldoux Huxley, onde as crianças se divertiam em brincadeiras1 eróticas ( lúdicas), como se fosse a coisa mais natural do mundo.

6:50 PM  

Eu acho que criança precisa ser criança. Se eu pudesse esticar a infância...

mas, pelo menos a minha eu estiquei!!!

1:03 AM  

Berm que a Larinha falou que você é criança no corpo de adulto...rsrsrs.
Abraço

8:43 PM  

Berm que a Larinha falou que você é criança no corpo de adulto...rsrsrs.
Abraço

8:43 PM  

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