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Sobre a infância


FLORAÇÃO

quando menino atravessei o rio
na embriaguês da novidade
e meu cavalo e meu gato e os sonhos
da infância
eu deixei por detrás da sombra das árvores

quando menino fui fugitivo
no tempo da floração das uvas
e deixei minhas pegadas perdidas
no além

quando menino tive sede de mim
e sorvi gotículas do meu íntimo
saciando os pés cansados de minha jornada

e calvaguei pássaros selvagens no espaço
e potro de crinas azuis
na madrugada

a aridez de meus sonhos não foi em vão
e eu, menino de balaio nas mãos
e futuro nos olhos
descortinei o outono da vida

(in "Quarador", Anome, 2003)

1 comentários:

...Amei esse poema! Me fez lembrar
a minha infância...
É muito bom quando, através de uma leitura, possamos voltar no tempo e relembrar parte de nossa vida que há tempo ficou para trás.
Parabéns!

5:25 PM  

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