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Sobre perdas necessárias

Parece que chega um momento em nossa vida a partir do qual acelera-se o processo de despedida de pessoas muito queridas e, algumas em particular que a gente tinha a sensação de que nos acompanhariam por toda a nossa experiência terrestre. Pessoas quemarcaram a nossa infância, pessoas que nos deram um norte na adolescência e juventude, pessoas que, em alguma das muitas curvas da nossa vida passaram a escrever uma página muito bonita de nossa história.

Mas, penso que o existir é assim mesmo. Repleto de perdas que são necessárias ao nosso aprimoramento. E, até nisso, podemos enxergar a perfeição divina. É como se Deus afirmasse a nós: "sim, é preciso perder. Perder para poder ganhar". Afinal, foi assim desde o sempre. É preciso perder a comodidade do útero materno para as primeiras oportunidades da caminhada terrestre. É preciso perder a infância, para adentrarmos a adolescência, essa fase em que somos, muitas vezes, insuportáveis, sem que sequer o suspeitemos. Mais uma pista de como Deus é magnânimo, pois, se soubéssemos, seríamos mais responsáveis. E ai, é como se pudéssemos ouvir, mais uma vez a sua voz a nos dizer: "fique tranquilo. Dia virá em que você entenderá as suas limitações".

E, a partir daí as perdas se acentuam: a adolescência se vai e com ela, muitos dos sonhos e das falsas perspectivas que visualizamos para nossas vidas. Vão-se os amigos inseparáveis cuidar da própra vida e já não são tão inseparáveis mais. Vai-se a primeira paixão. Vai-se o ócio e a responsabilidade começa a bater à porta de uma forma nunca antes imaginada: vestibular, necessidade de trabalho, a árdua batalha para se sobressair bem diante da competitividade da vida. Dinheiro contado, ou falta dele, decepções e a passagem inexorável do tempo.

E é justamente nesse ponto que os ganhos também se acentuam. Nessa fase já está formado o nosso caráter. Aquilo que, realmente irá nos diferenciar das outras pessoas. Nessa fase já conquistamos em definitivo o direito de reconhecer que somos humanos, não perfeitos. E que aprendemos errando. Mas, por outro lado, encontramo-nos na plenitude da força física e intelectual, mergulhados em um mundo de possibilidades e com domínio total do nosso livre arbítrio. Já aprendemos a reconhecer que as nossas atitudes tem consequências. E, até aí nos vemos diantes da escolha: que tipo de consequência vou escolher?

Parece-me que é justamente nessa fase que estamos caminhando, apressadamente, para romper os laços que ainda nos prendem às referências mais caras da nossa infância: vô, vó e, em algum momento mais adiante, pai, mãe, quedam-se no caminho, ao lado de todas aquelas figuras que nos viram nascer e crescer. Claro que alguns de nós desafia essa situação, até porque não trata-se de uma regra, já que, às vezes, ela precisa, por algum motivo ainda desconhecido a nós, ser quebrada, ser invertida. Mas, na maioria das vezes, é esse o script: despedir de cada um daqueles que nos viu nascer, crescer e que ajudou a formar o nosso tesouro mais precioso que é o caráter. E é ai, que, ainda uma vez, podemos ouvir a voz de Deus: "era necessáro que fosse assim. Cumpriram o seu papel de ensiná-lo a caminhar. Agora é com você".

E, se abrimos a janela, a vida nem sempre sorri. Porque, também é necessário que seja assim. Alguns parentes e amigos se vão. E muitos amigos e parentes chegam para que nunca se perca a referência maior que é a família que se tem.

E, além da janela, o tempo passa numa velocidade que não tivéramos condições de observar quando criança, porque faltava-nos senso para isso. Porque éramos protegidos para não ter que pensar em coisas como a despedida. Porque quando depedimos daqueles a quem aprendemos a amar, estamos fazendo um exercício para o momento de também nos despedirmos. E, se o objetivo é perder algo menor em troca de algo maior, bem, ouçamos a voz de Deus sussurando em nossos ouvidos: "são muito pequenas suas perdas, comparadas aos ganhos acumulados para sua eternidade."

Precisamos fazer um exercício diário para sermos menos egoistas. Entender que todos estão sujeitos ao mesmo caminho de dor pelo qual a gente passa. E, entender que, ao lado das tormetas que enfrentamos, há pequenas alegrias que valem a vida toda. É como dizia Hammed: "a dor é necessária. O sofrimento é opcional." Ou seja, perder é preciso. Mas o passado é o aprendizado, a lição que orienta no preparo do amanhã.

O que eu espero é um amanhã onde todos os que deixaram de, em algum momento, caminhar comigo, possam sorrir juntos, agradecidos pelo dever cumprido... e, assim, continuarmos a caminhada.

2 comentários:

Feliz 2009!
Te desejo sonhos,grandes sonhos e coragem para transforma-los em realidade.
bjão

2:34 PM  

Ei Vanderlei, tudo bem.
Feliz 2009.
Esse relato me lembra toda vez que visito a nossa terra e convivo com minha família.
Tenho muitos tios e tias, meus pais estão bem de saúde, graças a Deus.
Quando retorno, as vezes querendo ficar por lá, os pensamentos sobre perda me vem a mente.
Tenho de aproveitar cada segundo de convívio e me recrimino por não conseguir visitá-los o quanto gostaria.
Mas a vida vai nos ensinando né.
Gostei muito do artigo e acho que poderia perfeitamente fazer parte do alvinews.
Abração a você e escreva sempre.

12:00 PM  

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