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Sobre a espiritualidade no cinema

O texto abaixo, escrevi para o jornal "O Pontilhão", da cidade de Dom Silvério, e foi publicado em sua última edição:

A ESPIRITUALIDADE NO CINEMA

Estamos em dezembro, o mês que, por motivos óbvios, evoca em nós, os mais sinceros sentimentos de solidariedade, de religiosidade e de amor ao próximo. A arte não poderia ficar atrás na interpretação de todos esses sentimentos e é assim que o cinema tem oferecido belíssimas obras que retratam a espiritualidade presente no íntimo do ser humano. Muitas dessas obras se converteram em sucesso de crítica e de público e, são consideradas preciosidades da sétima arte, como veremos nesse despretensioso artigo.

Veio-me a idéia de falar sobre esse tema, no último final de semana, quando eu assistia ao segundo filme da saga “As crônicas de Nárnia”, adaptação da série de livros que o escritor cristão C. S. Lewis escreveu, no intuito de oferecer conceitos de cristianismo às crianças. No primeiro filme, “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa”, em analogia à história de Jesus, o leão, Aslam, depois de sofrer uma traiçao, entrega-se à humilhação, tortura e morte, para salvar os seus súditos. Nesse segundo episódio, “O príncipe Caspian”, tratando, de novo da fé em um Deus invisível, três das crianças não conseguem enxergar o leão. Só quando crêem que uma delas o está vendo é que, finalmente, passam a enxergá-lo.

Além desses fatos, tratados aqui sem maior aprofundamento, justamente para que o leitor possa assistir a essa fábula e tirar suas próprias conclusões, chamou-me a atenção um outro fato interessantíssimo. As personagens principais são quatro crianças que foram reis e rainhas do passado de Nárnia e que são levados de volta. Já no início do filme ficamos sabendo que se passaram mil anos desde que que eles estiveram lá pela última vez, enquanto, em nosso plano, se passou apenas um ano. Ou seja, por trás da fábula de reis, rainhas, feiticeiras, animais falantes, criaturas mitológicas, etc., temos um universo paralelo ao nosso, onde a história se desenrola, na melhor tradição das crenças da existência de vida em outros planos do universo. Engana-se quem pensa tratar-se, apenas, de uma história para crianças...

Filmes com temática cristã sempre fizeram sucesso nas telas. Voltando no tempo, vamos encontrar “Ben Hur”, um clássico, ganhador de onze Oscars, dentre as 12 indicações que obteve em 1959. Além de ser recordista do Oscar (só muitos anos depois, “Titanic”, em 1997 e “O Senhor dos anéis – O retorno do Rei”, em 2003, conseguiram o mesmo número de estatuetas), é um dos mais emocionantes filmes de todos os tempos. Fácil de ver, apesar de ter mais de três horas de duração, conta a históra de Judah Ben Hur, um rico comerciante de Jerusalém, no início do século I. Quando seu velho amigo Messala é escolhido pelo governador para comandar uma das legiões romanas, fica muito feliz, mas, com o passar do tempo, acabam por se separarem, devido a algumas divergências. Acontece que, durante uma parada de boas vindas, uma telha do telhado de sua casa cai, quase acertando o rei e, em consequência, seu antigo amigo, mesmo sabendo-o inocente, manda-o para a escravidão, condenando, ainda, sua mãe e irmã a passar o resto de suas vidas na prisão. Já dá para imaginar que são três horas de tirar o fôlego, não é? E não vamos adiantar mais nada, apenas uma das cenas do filme em que ele recebe uma caneca de água das mãos de ninguém menos do que o próprio Jesus. Algumas passagens fazem a gente arrepiar, outras, fazem chorar comovido...

Ainda falando de clássicos, há um filme de 1951, chamado “Quo Vadis?”. Traduzido, significa “Aonde vais?” e é a pergunta que teria sido dirigida pelo apóstolo Pedro a Jesus, quando este lhe apareceu, no momento em que Pedro, havendo deixado a prisão, ia fugir de Roma.

O filme conta a história de um Comandante Romano que se apaixona por uma cristã e passa ser perseguido pelo Imperador Nero. Uma superprodução para a época, que chegou a receber oito indicações para o Oscar. Este filme marcou a estréia da atriz Sophia Loren nos cinemas.

Os filmes mais recentes com temática espiritualista, estão entre os maiores sucessos de público dos cinemas. Geralmente abordam os princípios da doutrina espírita e merecerão um artigo à parte, caso de “Ghost”, “O sexto sentido”, “”Os outros”, “Amor além da vida”, etc. Voltaremos ao tema para escrever sobre eles.

Enquanto isso, vamos dedicar o parágrafo final para falar de um outro fenômeno, desta vez, um filme nacional. Trata-se de “Bezerra de Menezes – o diário de um espírito”. O filme conta a história de Adolfo Bezerra de Menezes, criado no nordeste por sua família católica, que se muda para o Rio de janeiro para estudar medicina e acaba tornando-se médico de renome na época do império. Pois bem, ele acaba se tornando espírita, o que era um escândalo naquele tempo. Infelizmente, do ponto de vista cinematográfico, o filme é fraco e acaba não fazendo juz à trajetória do biografado, que passou à história como o “medico dos pobres”. O curioso e que esse filme termina o ano como um dos grandes sucessos entre os filmes nacionais lançados em 2008, quer pela sua divulgação, quer pela sua temática espírita, assunto que desperta um grande interesse na população brasileira. É por isso que, no próximo artigo, abordaremos os filmes com essa temática.

Assista ao trailler do filme:

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